sexta-feira, 20 de junho de 2014

TALLINN parte 1, sozinha na cidade e o hostel reservado sem ver

Cheguei a Tallinn ao inicio do dia. A viagem de ferry foi curta e fez-se sem problemas. O porto de Tallinn é algo de muito diferente do que estou habituada, uma grande área cimentada e uma escadaria que de tão alta nos dá uma vista desafogada tanto do porto como da entrada da cidade.

Encaminho-me para a cidade antiga onde fica o hostel que tinha reservado para aquela noite. Como em Estocolmo fiquei sem hostel, achei melhor ir outra vez contra a minha regra de ver antes de reservar e acabei por reservar um quarto pelo hostelworld. 
Quando cheguei à morada que estava no site não havia lá nenhum hostel, era a entrada de uma loja que estava fechada... pensei que talvez tivesse havido alguma alteração e fui à procura do hostel seguindo apenas as indicações que tinham no site. Pouco depois encontrei, tinha apenas uma etiqueta numa das campainhas do prédio O hostel "the sleeping Maris" fica afinal na rua Sauna e não na morada que tinha no site. Toquei à campainha e um senhor perguntou-me pelo altifalante quem eu era e se tinha reserva. Depois de confirmar lá me abriu a porta do prédio. Entrei, subi um vão de escadas e tinha a porta do hostel no primeiro piso à esquerda, abri a porta e do outro lado havia um corredor enorme com uma pintura diluída pelo tempo salpicada de quadros tortos e garanto que haviam teias de aranha nuns cantos mais recônditos. No final do corredor à esquerda tinha uma sala de espera com a recepção que se transformava em bar durante a noite. Confesso que era um sitio bem estranho e que parecia que se ia desfazer a qualquer momento.
Espero uma boa meia hora para ser atendida e lá me indicam que os quartos são no andar de cima, tudo bem até aqui, mas a coisa complica um bocadinho se disser que o acesso ao andar de cima se fazia por uma espécie de escadote metálico com degraus de 5cm que ia dar a um buraco perto do tecto que eu tinha de baixar a cabeça para passar... tudo isto com a mochila às costas. Já lá em cima parecia um labirinto e não havia qualquer tipo de lógica na organização do hostel, só sei que umas portas davam para quartos, outras para chuveiros, outras para toilettes, outras eram salas, passei por outra recepção mas esta abandonada, havia também uma cozinha, passei por uma outra porta que dava para umas escadas interiores (desta vez escadas normais de madeira) que me levava para outro andar mais a cima onde haviam mais quartos, salas e casas-de-banho e por fim o meu quarto.

O meu quarto tinha 6 beliches para 2 pessoas cada e cada um de nós tinha direito a um cacifo. Larguei a mochila e deitei-me um pouco. Comecei a imaginar a loucura que seria se tivéssemos de sair dali rapidamente... acho que morríamos ali todos! Troquei umas palavras com a alemã que estava deitada na cama ao lado. Ela tinha acabado de chegar a Tallinn e ia ficar lá 6 meses a fazer Erasmus. Ia ficar naquele hostel até encontrar um quarto para alugar. Eu disse-lhe que achava que o hostel estava a cair de podre e que só lá ia ficar uma noite. Ela achou-me muito chique! Sai do quarto e fui ver melhor o hostel, podia ser que a alemã tivesse razão e que eu é que estava muito esquisita.
Num dos corredores estava um painel com a história do hostel, ora, aquilo era um prédio abandonado que eles ocuparam e estavam a fazer melhorias pouco a pouco com o dinheiro que iam conseguindo com os hospedes. Há pouco tempo tinham conseguido meter água quente no prédio o que era uma grande vitória para eles. Sendo que Tallinn fica bem bem lá no norte da Europa e no Inverno tem neve, acho que a água quente foi uma boa ideia. eheh! Decidi ir tomar banho para depois ir dar um passeio na cidade... qual foi a minha surpresa quando me meti debaixo do chuveiro e não havia água quente!!! Pelos vistos a conquista pela água quente ainda estava meio tremida. Achei que o problema não era meu, a alemã é que ainda devia estar dormente da água fria e não estava consciente do sitio onde estava.


Fui passear pela cidade antiga. É lindíssima. Para mim a cidade antiga mais linda dos países bálticos. Tive a sensação de ter passado por um portal que me levou até à idade média. Eles fazem tudo para que tenhamos a sensação de termos recuado no tempo. Algumas pessoas andam vestidas como na época medieval, algumas lojas parecem ainda estar naquela época assim como os produtos que vendem. Um espectáculo! Adorei!






Como o João ia chegar no dia seguinte e quereria ver certamente a cidade velha, decidi não explorar muito e ir ver os arredores. Assim que saí das muralhas deparei-me com a parte nova de Tallinn, prédios grandes envidraçados, lojas, shoppings, hotéis e tudo aquilo que existe no mundo mais moderno. Continuei pelas avenidas atravessando a parte nova e comecei a ver a parte mais pobre e podre da cidade. Casas de madeira em bairros pobres. Tudo com aspecto abandonado e mal cuidado, as casas com problemas estruturais óbvios e as ruas eram um pouco escuras e sem vida. Ainda andei por ali umas horas, mas entretanto achei melhor voltar para trás porque já bastava o que tinha visto, não ia certamente melhorar. Tirei fotos do melhor que vi.



Como o hostel "espectacular" onde estava instalada tinha wifi, mas não tinha computador (como eu não tinha comigo nada electrónico o wifi de nada me servia), consultei no meu caderno de bolso a morada de outros hosteis que me tinha lembrado de copiar. Fui ver um que me pareceu ok na primeira pesquisa que tinha feito, mas não ficava na cidade velha e por isso não o tinha escolhido. Afinal não ficava assim muito longe e tinha um ambiente muito descontraído, cheio de mochileiros e o staff era muito simpático. Fiz logo negócio com ele e reservei 2 camas para a noite seguinte. Pedi-lhe se podia deixar a minha mochila de manhã e fazer o check-in um pouco depois. Concordou com tudo!

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