domingo, 25 de maio de 2014

ESTOCOLMO parte 1, o pior dia da viagem

O avião aterrou em Estocolmo às 10 da manha de sexta-feira e pelas 11 já estava na cidade. Andei a passear pela cidade para ter uma ideia geral enquanto fazia tempo para chegar a Josephine. Entretanto entrei numa biblioteca para ver os emails e tinha um da Jo a dizer que o voo de Hong Kong para Pequim tinha atrasado e havia a possibilidade de perder o voo para Estocolmo.

Entretanto, andava eu descontraída a ver as vistas, quando percebo que o meu telefone não funciona, cada vez que o ligava ficava ligado uns 3 segundos e desligava. Pensei, humm... isto vai ser um problema, é melhor avisar a Jo. Voltei à biblioteca para avisa-la que não ia ter telemóvel. Quando tive acesso à internet já tinha recebido outro email dela que dizia que ia chegar no avião das 17:20 (hora prevista). Como não ia ter telemóvel, expliquei-lhe todo o procedimento para ir do aeroporto para a estação central onde era o nosso ponto de encontro.

Pelas 18h30 fui para a estação central e aí começou o meu calvário. Ela podia vir do aeroporto de autocarro ou de comboio, e caso fosse de comboio podia vir por várias linhas. Como não tinha a certeza que a Jo tinha lido os meus emails, passei o tempo de um lado para o outro, a correr todas as possibilidades para garantir que ela me encontrava. 

O tempo foi passando e nada de ver a Josephine. Sentei-me perto de uma tomada e carreguei a bateria do telemóvel, na esperança que o problema fosse bateria, mas nada, o telemóvel continuava morto. Pedi a várias pessoas se me deixavam por o meu cartão SIM no telemóvel delas, mas por incrível que pareça todos tinham smartphones de ultima geração com micro-SIM ou precisavam de peças especiais para tirar o cartão ou simplesmente tinham má vontade. Cheguei a encontrar uma sueca com um telemóvel baratinho, mas ela ficou desconfiada e provavelmente com medo que lhe roubasse o telemóvel e disse-me que não me podia ajudar. Grrrr!

Finalmente, passado mais ou menos duas horas, vi duas adolescentes a carregarem os telemóveis e achei que aquela podia ser a minha oportunidade. Perguntei-lhes se podia usar o meu SIM, mas claro, não dava! Deixaram-me usar a Internet e ainda me perguntaram se queria telefonar a alguém. Infelizmente toda a ajuda foi em vão, a Jo tinha o telemóvel desligado (pensei que estaria ainda no avião) e o número de telefone que a dona da casa onde íamos ficar me tinha dado não funcionava. Fui rever o email e tinha um email da couchsurfer a dizer que se tinha enganado no número e deu-me um novo. Tentei telefonar para o novo numero várias vezes e ela não atendia... fiquei um pouco chateada, mas continuava a dizer a mim mesma que tudo se ia resolver. Agradeci imenso a ajuda e voltei para a estação.

Esperei 3h até desistir. Comecei a achar que ela tinha mesmo perdido o avião e só viria no dia seguinte à mesma hora. Eram 10 da noite, não tinha telemóvel, a dona da casa onde íamos ficar não me atendia o telefone, todos os hosteis da cidade estavam lotados assim como a maioria dos hotéis porque era a fashion week e o fim-de-semana cultural da cidade, andava com a mochila às costas há 12 horas, estava cansadíssima, tinha deixado de sentir os dedos do pé esquerdo por ter um calçado inadequado e estava irritada com todos aqueles contratempos.

Decidi ir para a morada que tinha. Era a meia hora da cidade. A morada parecia-me relativamente curta, mas pensei que fosse mesmo assim, uma rua apenas com uma ou duas casas e pronto. Meia hora depois chego à estação de Tullinge e pergunto à senhora que está a vender os bilhetes se reconhece aquela morada (quando me aproximei a senhora estava com o telemóvel na mão e também ela tinha um smartphone de ultima geração - grrr!) ela diz-me que falta metade da morada e assim era impossível encontrar a casa. Entre o desespero e a grande lata peço-lhe se é possível fazer um telefonema, ela deixa e faço outra chamada em vão para a couchsurfer e o telemóvel da Jo continua desligado.

Decido que é hora de desistir. Volto outra vez para a cidade e tento encontrar um sitio para dormir. Quando chego são 23:30 e, se já estava tudo lotado há uns dias, àquela hora seria quase impossível encontrar um sitio bom e barato. Começo a entrar em todos os hotéis à procura de um quarto. Logo no primeiro, mesmo em frente à estação central, pedem-me 150€ pela noite... achei um roubo e continuei a busca. Duas horas e 10 hotéis depois decidi deixar-me ser roubada e ficar no único quarto vago da cidade, aquele por 150€. Auch! Lá se foram as minhas poupanças apenas numa noite!



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